jul
05
Postado em 05-07-2008
Na Categoria (Crônicas) pelo buxudo Baixinho em 05-07-2008
1 Nam!2 Meia Sola3 Da pro gasto4 Quase lá5 Do Carai (1 votos, média: 5 de 5)
Loading ... Loading ...

A ocupação de um estagiário é o trabalho mais desprezado pela sociedade! Isso não é opinião, é fato. Apesar de estudarmos metade do dia e dedicarmos a outra metade à entidade para a qual trabalhamos, acabamos recebend uma mixaria, sem contar a exploração e humilhações freqüentes que a “raça” recebe.

O estagiário é o último grau da escala social, atrás até das prostitutas, bóias-frias, sem-teto, sem-terra e mendigos. Não acredita? Pois confira abaixo o breve cálculo (pesquisa certamente feita por um estagiário, que é a verdadeira classe trabalhadora do país):

Um sinal de trânsito muda de estado em média a cada 30 segundos (trinta segundos no vermelho e trinta no verde). Então, a cada minuto um mendigo tem 30 segundos para faturar pelo menos R$ 0,10, o que numa hora dará: 60 x 0,10 = R$6,00.

Se ele trabalhar 8 horas por dia, 25 dias por mês, num mês terá faturado: 25 x 8 x 6 = R$ 1.200,00.

Será que isso é uma conta maluca?

Bom, 6 reais por hora é uma conta bastante razoável para quem está no sinal, uma vez que, quem doa nunca dá somente 10 centavos e sim 20, 50 e às vezes até 1,00.

Mas, tudo bem, se ele faturar a metade: R$ 3,00 por hora terá R$600,00 no final do mês, que é o salário de um estagiário com carga de 35 horas semanais ou 7 horas por dia.

Ainda assim, quando ele consegue uma moeda de R$1,00 (o que não é raro), ele pode descansar tranqüilo debaixo de uma árvore por mais 9 viradas do sinal de trânsito, sem nenhum chefe pra encher por causa disto.

Mas isto é teoria, vamos ao mundo real. De posse destes dados fui entrevistar uma mulher que pede esmolas, e que sempre vejo trocar seus rendimentos na Panetiere (padaria em frente ao CEFET). Então lhe perguntei quanto ela faturava por dia. Imagine o que ela respondeu?

É isso mesmo, de 35 a 40 reais em média o que dá (25 dias por mês) x 35 = 875 ou 25 x 40 = 1000, então na média R$ 937,50 e ela disse que não mendiga 8 horas por dia.

_______

Foda…

(0) Comments    Continue   
jul
02
Postado em 02-07-2008
Na Categoria (Crônicas, Fudeu!, Humor, Imagens) pelo buxudo Baixinho em 02-07-2008
1 Nam!2 Meia Sola3 Da pro gasto4 Quase lá5 Do Carai (1 votos, média: 5 de 5)
Loading ... Loading ...


Casamos novos. Ela com 19 e eu com 20 anos de idade. Lua-de-mel, viagens, mobílias na casa alugada, prestações da casa própria e o primeiro bebê. Anos oitenta e a moda era ter uma filmadora do Paraguai. Sempre tinha um vizinho ou amigo contrabandista disposto a trazer aquela muambazinha por um preço módico. Ela tinha vergonha, mas eu desejava eternizar aquele momento.

Invadi a sala de parto com a câmera no ombro e chorei enquanto filmava o parto do meu primeiro filho. Todo mundo que chegava lá em casa era obrigado a assistir ao filme. Perdi a conta das cópias que fiz do parto e distribuí entre amigos, parentes e parentes dos amigos. Meu filho e minha esposa eram os meus orgulhos. Três anos depois, novo parto, nova filmagem, nova crise de choro.

Como ela categoricamente disse que não queria que eu filmasse, invadi a sala de parto mais uma vez com a câmera ao ombro. As pessoas que me conhecem sabem que havia apenas amor de pai e marido naquele ato. O fato de fazer diversas cópias da fita era apenas uma demonstração de meu orgulho.

Nada que se comparasse ao fato de ela, essa semana, invadir a sala do urologista, câmera ao ombro, filmando o meu exame de próstata. Eu lá, com as pernas naquelas malditas perneiras, o cara com um dedo (ele jura que era só um! ) quase na minha garganta e minha mulher gritando: Ah! Doutoor! Que maravilha! Vou fazer duas mil cópias dessa fita! Semana que vem estou enviando uma para o senhor!

Meus olhos saindo da órbita a fuzilaram, mas a dor era tanta que não conseguia falar. O miserável do médico girou o dedo e eu vi o teto a dois centímetros do meu nariz. A mulher continuou a gritar, como um diretor de cinema: Isso, doutor! Agora gire de novo, mais devagar. Vou dar um close agora!!
Alcancei um sapato no chão e joguei na maldita.

Agora, estou escrevendo este e-mail, pedindo aos amigos que receberem uma cópia do filme, que o enviem de volta para mim. Eu pago o reembolso.

(Luiz Fernando Veríssimo.)

_______

Lido no Bicuda na Canela.

(0) Comments    Continue   
jun
07
Postado em 07-06-2008
Na Categoria (Crônicas, Humor) pelo buxudo Baixinho em 07-06-2008
1 Nam!2 Meia Sola3 Da pro gasto4 Quase lá5 Do Carai (1 votos, média: 5 de 5)
Loading ... Loading ...

Bom dia, eu gostaria de cortar meus cabelos. Qual o preço?

É R$ 20,00, moço. Tem alguma preferência? – me responde a recepcionista, não muito bonita, mas bem gostosinha.

Quero curto, mesmo.

Mas tem alguma preferência, moço?

Curto, moça!

Não, moço, eu tô falando do profissional! Tem alguma preferência?

Não, tanto faz. Indique alguém.

Tá certo, vou chamar. JO-AAAAAAAAAAAA-NAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!

Nesse momento, sinto que um dos meus tímpanos reage sensivelmente ao leve “ruído” da atendente. Olho para dentro do salão e não vejo ninguém vindo, então me sento na poltrona. Passados 2 minutos, a atendente olha para mim, se vira para dentro do estabelecimento, e eu instintivamente levo as mãos aos ouvidos: JO-AAAAAAAAAAAA-NAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!

Alguém responde lá de dentro: - Tá terminando a “ignal” (sic) aqui. Vai já.

Beleza, num tinha mesmo o que fazer, meu hobby é esperar sentado num sofá de salão de beleza sentindo aquele aroma agradável de produtos de cabelo. Vamos esperar a Joana. Deve ser uma delicinha. Na hora lembrei todas as garotas que eu conhecia com esse nome. Duas eu já tinha pego. Duas gatas, por sinal.

– Moço, vou chamar outro profissional, ok?

– Se a Joana não for demorar muito, eu espero – minhas segundas intenções venciam a minha pressa.

– Okey.

Passados mais cinco minutos, minha paciência se esgota, e eu decido que conhecer a Joana não vai valer a demora:

Moça, será que você poderia chamar outra pessoa: estou com um pouco de pressa.

– Peraí, moço, que vou chamar ele.

A atendente entra numa sala e eu fico me perguntado o porquê de ela chamar a Joana de “ele”. Mas minha dúvida não demora muito tempo: eis que a moça vem vindo acompanhada de… Peraí, e a Joana?

– Olha, Joana, você demorou muito, eu tava vendo a hora ter que chamar outra pessoa (é, garotada, até num salão de beleza a gente vê o “jeitinho brasileiro” de favorecer os amigos). Sorte que o moço bonito (juro que ela disse isso) aqui só queria se fosse com você – diz a recepcionista, se dirigindo a um protótipo de Ângela Bismarchi, com peitos de Pâmela Anderson e cabelos multicoloridos.

– Õem, gato… Iaí, vai ser o quê? – me pergunta Joana, dando aquela olhada raio-X completo, que até então só tinha visto meus amigos fazerem para as gatas mais gostosas que passavam na nossa frente. E eu, puto da vida, respondo:

– Só um cortezinho rápido nos cabelos, estou com um pouco de pressa.

– Aeeeemmmm, desculpa, gato, se eu soubesse que era um cliente tão lindo teria vindo correndo.

Acompanho Joana para a cadeira, nem um pouco satisfeito com o elogio recebido.

– Como é que você, prefere? – me pergunta, e eu começo a prestar atenção que tudo o que ela fala tem um sentido, digamos assim, subliminar por trás (no bom sentido).

– Curto simples, sem nada demais. Passa a “3” nas laterais e picota, quer dizer, corta baixinho em cima.

Podeixar! Você vai adorar: picotar é comigo mesma. – puta que o pariu, porque eu fui dizer essa palavra? Agora vai ficar achando que estou dando cabimento.

Dez minutos depois:

– Terminei, lindo, você gostou também? – me pergunta, cheia de duplos sentidos. Mas o corte ficou realmente bacana, não ia ser injusto:

– Ficou pau… aliás, ficou massa.

– Aeeeemmmm, pode dizer “pau” mesmo, adoro quando fica pau! Vamos lavar?

– Precisa não, estou atrasado.

– É rapidinho… – diz Joana, me empurrando para a cadeira de lavagem de cabelo – Passar só um shampoozinho.

O “shampoozinho” era até cheiroso, mas Joana não tinha fim de terminar a dita lavagem, e eu começava a sentir que na verdade ela estava fazendo uma massagem quase erótica na minha cabeça.

– Tá bom, pode tirar o shampoo.

– Ouuuuu, tava tão bom. Fica aí que vou pegar o creme.

Puta que o pariu, creme é o caralho, Joana queria era ficar me alisando. Eu já estava rezando para não passar um conhecido por ali: zoação pro resto da vida… Joana pega o dito creme, e alisa minha cabeça com a mesma cara com que uma ninfomaníaca faria sexo oral após um ano de abstinência. Muito puto e atrasado pacas, peço pra Joana terminar logo:

– Tá bom, lindo, vou enxugar agora.

– Não pode deixar que eu mesmo enxugo, me dê a toalha. Pago a você?

– Se fosse para mim, já tava pago! Mas é na recepção.

– Amiga, faz um descontão pra ele. – diz a Joana à recepcionista.

– Precisa não. Tá aqui o dinheiro. Obrigado.

– Xauzinho, gato.

Despeço-me e saio quase correndo do salão, não sei se mais pelo atraso, ou mais para sair de perto da Joana. Ao sair, ainda sinto um olhar fixo na minha bunda, e penso seriamente em virar para trás e estirar o dedo para Joana. Mas, pensando bem, ela ia gostar.

Não sei por que, mas saí de lá com a ligeira impressão que a Joana era um puta dum veadão.

(0) Comments    Continue